A VISÃO DO MUNDO E DO EU SOB A ÓTICA INFANTO-JUVENIL: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA A BOLSA AMARELA, DE LYGIA BOJUNGA

Camila Hespanhol Peruchi

Resumo

Partindo do florescimento produtivo pelo qual passou a literatura infanto-juvenil brasileira entre as décadas de 1960 e 1980, o presente artigo tem por objetivo discutir os aspectos mais inovadores da obra A bolsa Amerela (1976), de Lygia Bojunga Nunes. Essa obra é extremamente significativa a medida que traz em sua estrutura e em seu conteúdo marcas inovadoras do fazer literário voltado para a criança e o adolescente. Nesse sentido, pretende-se focar, entre essas marcas, a presença da linguagem inovadora, o realismo mágico, a busca pela individualidade e identidade em meio a um ambiente de opressão familiar e social por meio de uma nova concepção de criança, além do questionamento da estrutura familiar. Desse modo, A Bolsa Amerela prova que, definitivamente, não há restrições de temas para o público infanto-juvenil, uma vez que consegue tratar de sentimentos íntimos e complexos do seu público-alvo. Além disso, a obra consegue, a partir de focalização que privilegia a ótica da criança, representar metaforicamente o Brasil da década de 60, revelando uma gama de situações que constituem verdadeiras alegorias do Brasil ditatorial, constituindo-se, também, em uma crítica contundente à realidade social.

Palavras-chave

Lygia Bojunga Nunes; literatura infanto-juvenil; cultura e sociedade.

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