O CARÁTER FRONTEIRIÇO DO SUJEITO CITADINO EM PABLO NERUDA

Ximena Antonia Diaz Merino

Resumo

O processo imagético na obra de Pablo Neruda se constrói através da criação de imagens resultantes do resgate das experiências de vida guardadas na memória. Trata-se também de um questionamento existencial do poeta com base no olhar crítico sobre o momento histórico e pessoal. Neste processo criativo o mundo imagético de Neruda faz uma forte referência aos elementos da natureza de Temuco, cenário cotidiano de sua infância e adolescência, constituintes da paisagem que permaneceu em sua memória e se cristalizou em sua obra. A constatação de que na passagem da província para a capital Neruda não atinge emocionalmente seu destino final, permanecendo num longo estado de transição (limiar), permite apontar para o surgimento de um ‘sujeito fronteiriço’ situado entre o universo provinciano e o universo urbano.  Em Neruda, o conceito de fronteiriço não alude somente a uma demarcação territorial entre duas regiões que são política e culturalmente diferentes, mas também a delimitações temporais, já que em sua permanência na cidade o poeta se transforma num corpo que experimenta o lugar e estabelece uma relação crítica frente a ele: descreve-o poeticamente e desenvolve uma mobilidade temporal da cidade à província. Este estado fronteiriço demonstra uma posição intermediária em indivíduos que ao se deslocarem dentro do próprio país se sentem à margem de sua própria cultura. Em Neruda a noção de fronteira é uma problemática recorrente na temática das cidades, onde o fronteiriço tem relação com o espaço geográfico (campo, metrópole e porto), com o espaço temporal (presente e passado) e com o espaço cultural, no que se refere às diferenças identitárias regionais de um mesmo país. Por isto, é importante abordar a análise da superação de fronteiras no que diz respeito às questões de ordem geográfica e cultural, mas sobre tudo às formulações subjetivas decorrentes dos processos interpessoais.

Palavras-chave

Fronteira; Identidade; Pablo Neruda.

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