AMBIVALÊNCIAS IDENTITÁRIAS EM DOIS IRMÃOS, DE MILTON HATOUM

Mariana Jantsch Souza

Resumo


Este artigo apresenta uma leitura do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, focada na condição do narrador e suas implicações identitárias. Nael, o narrador protagonista, cresceu misturado a uma família própria e alheia ao mesmo tempo, sem saber o espaço que lhe cabia em meio ao grupo. As incertezas de suas origens moldaram uma identidade flutuante entre a posição de filho/neto e a posição de empregado agregado ao grupo. As ambivalências dessa identidade são narradas em busca de respostas, de estabilização do espaço identitário de Nael. Para isso, o principal instrumento é a memória, único meio de ressignificar o passado e preencher a falta de inteireza que acompanha Nael: a intereza é alcançada com o remexer do passado, das lembranças e, principalmente, dos silêncios e dos esquecimentos familiares. As reflexões acerca das possíveis posições identitárias do narrador encontram suporte nas noções teóricas de memória e identidade a partir de uma perspectiva sociológica e antropológica.

Palavras-chave: memória; identidade; Dois irmãos.


Palavras-chave


Memória; Identidade; Dois irmãos

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