O GÊNERO DIÁRIO PESSOAL: COMO SE CONFECCIONA O ÍNTIMO

Márcia Helena de Melo Pereira, Jocelma Boto Silva

Resumo

De acordo com Bakhtin (1997), é enquanto inscrito em um gênero do discurso, vinculado a certo campo da atividade humana, que o sujeito se apropria da linguagem e se constitui. Alguns desses campos possuem mais proximidades com as atividades diárias dos indivíduos do que outras e produzem gêneros mais maleáveis, que permitem maiores intervenções individuais, como é o caso do diário pessoal. Devido ao caráter íntimo desse gênero, ele nos chamou a atenção e nos convidou a analisá-lo mais de perto. Neste trabalho, propomos investigar o gênero diário pessoal, a partir da análise de dois exemplares escritos por pessoas comuns, na tentativa de conhecer um pouco mais a respeito do gênero, de seus escreventes e de como se dá a relação deles com a linguagem. Para tanto, dois sujeitos adultos, do sexo feminino, nos forneceram seus diários para análise. Teoricamente, baseamo-nos nos pressupostos de Mikhail Bakhtin (1997) sobre os gêneros do discurso e nos trabalhos desenvolvidos pelo pesquisador Philippe Lejeune (2008) acerca de textos autobiográficos escritos por pessoas comuns. A análise desses diários revelou que, além de registrar vivências e sentimentos dos sujeitos, eles serviram como instrumento de oração para um deles e como meio de criação de uma imagem pública de si para o outro.  

 

Palavras-chave

gênero do discurso; escrita íntima; diário pessoal

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