DA MATERIALIDADE À IMATERIALIDADE: UMA ANÁLISE DE OS TRANSPARENTES DE ONDJAKI

Camila Lima Sabino

Resumo

O imaginário subjacente às paisagens geográficas conta, a partir de uma determinada percepção, processos de construção da identidade de uma nação. É o que encontramos no projeto estético de Os transparentes do escritor angolano Ondjaki, obra em que é possível observar os limites entre o território e o indivíduo que o ocupa através de processos de construções e desconstruções mútuas.  Queremos, portanto desenvolver analises interpretativas acerca das relações que ligam os trânsitos internos e externos dos personagens em intenso contato com o lugar em que vivem, um prédio combalido, localizado em uma cidade em crise, Luanda.  Para tanto, analisaremos os intercâmbios entre os personagens desta obra, que marcam os movimentos dos narradores e da estrutura do texto, movimentos que apontam para as múltiplas formas de representar o espaço heterogêneo dos trânsitos culturais situados no contexto histórico-espacial da contemporaneidade. Para tanto, nos utilizaremos dos estudos de Rita Chaves sobre o rompimento com a fixidez que empreendem tais personagens e, também, os de Tânia Macêdo, sobre a relação entre literatura, história e identidade de Angola. Da materialidade à imaterialidade, o trabalho tem como objetivo principal analisar a desmaterialização física vivenciada pelo protagonista, ao longo da trama, ressaltando a aproximação entre esse processo e a deterioração  da cidade, situação metonímica que pode estar relacionada à  pouca solidez em que se arvora a identidade nacional de Angola. 

Palavras-chave

Trânsitos culturais. Identidade nacional. Luanda. Os transparentes.

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