Literatura e Filosofia: O Papel do Excluído em Guimarães Rosa e Herbert Marcuse

André Francisco Freire Monteiro

Resumo

O presente trabalho analisa a figura do “excluído” no conto Famigerado pertencente à obra Primeiras Estórias de João Guimarães Rosa (1908-1967), e a partir da Teoria Crítica da Sociedade de Herbert Marcuse (1898-1979). Com base em uma revisão bibliográfica, observa-se que na filosofia de Herbert Marcuse os excluídos despontam como sujeitos capazes de mudar a realidade que estão inseridos. No conto Famigerado verifica-se que Damázio é um notório excluído da sociedade brasileira, excluído economicamente, excluído das cidades e um não-escolarizado que não tem acesso ao conhecimento produzido em linguagem oficial. Mas Guimarães Rosa não o retrata como um incapaz, mas sim um homem que tem o poder das armas, que luta para sobreviver e ter uma vida que considera digna. Marcuse define a literatura como uma das dimensões estéticas que estabelecem negação a realidade hodierna e pode falar a linguagem e experiência dos oprimidos e excluídos.

Palavras-chave

Excluído. Literatura. Teoria Crítica.

Texto completo:

PDF

Referências

CAMPOS, M. T. C. Marcuse: realidade e utopia. São Paulo: Annablume, 2004;

GUEDES, W. Filosofia e Literatura: estética e subjetividade em “Famigerado” de Guimarães Rosa. Revista de Cultura Teológica. N° 81, Jan/jun. 2013, p. 133-144.

HORKHEIMER, M. Filosofia e Teoria Crítica. In: W. Benjamin, M. Horkheimer, T. W. Adorno, J. Habermas. Textos Escolhidos. Trad. José L. Grünnewald et al. - São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os Pensadores).

KELLNER, Douglas. O Marcuse desconhecido: novas descobertas nos arquivos. In: MARCUSE, Herbert; KELLNER, Douglas (ed.), Tecnologia, Guerra e Fascismo. São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1999, p. 15-69.

MACENO, R. B. O mundo e o mundo das palavras: análise sociológica do conto “famigerado”, de João Guimarães Rosa. Form@re. Revista do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica./Universidade Federal do Piauí, Teresina, v. 4, n. 2, p.151-163, jul./dez. 2016.

MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade industrial. Tradução de Giasone Rebuá. 6° ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

________________. A Dimensão Estética. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

________________. Contra- Revolução e Revolta. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.

¬________________. Eros e Civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. 8° ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

PAULA, C. M. Sete meis, Damázio e Rael: três vozes, três momentos, uma crítica. XI Congresso Internacional da ABRALIC. USP – São Paulo, Brasil, 2008.

RONDON, R. O belo como enfrentamento: introdução à reflexão sobre a dimensão estética no pensamento de Marcuse e suas possibilidades educacionais. In: Silvio Gallo; Marcio Danelon; Gabrielle Cornelli. (Org.). Ensino de Filosofia: teoria e prática: 2004, p. 205-215

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

___________________; LORENZ, Günter. “Diálogo com Guimarães Rosa”. In: Ficção completa: em dois volumes. 2. ed. Volume 1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009

SILVA, R. C. Arte e reconciliação em Herbert Marcuse. Trans/Form/Ação, São Paulo, 28(1): 29-48, 2005.

SPERBER, Suzi Frankl. Quem tem medo de Guimarães Rosa? Problemas Brasileiros (Entrevista) em 1 de fevereiro de 2008. In: http://www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/22791/medo-guimaraes. Acesso em: 14 de maio de 2018.