A FICÇÃO DA FICÇÃO: DERRAMAMENTOS DE UM “EU” EM ROBERTO BOLAÑO

Raquel Parrine

Resumo

Parte da obra do escritor chileno Roberto Bolaño, morto em 2003, parece estar articulada a partir de certas figurações do seu “eu”. Muitos contos e romances, sem contar os poemas, operam estratégias de ocultamento e revelação desse “eu” que parecem apontar a uma leitura desigual dos seus escritos, conforme a inscrição que o nome próprio faz. A partir dos contos “Detectives” (1997) e “Muerte de Ulises” (2007), do romance Los Detectives Salvajes (1998) e do livro de ensaios Entre paréntesis (2004), o artigo articula uma leitura que veja em paralelo as estratégias estéticas de Bolaño ao tratar da própria história pessoal. Trata-se de, através da assinatura Roberto Bolaño ou Arturo Belano, seu alter-ego, desvelar as consequências decorrentes da colocação do eu tanto nestes contos como em entrevistas e nos ensaios. A questão não é a verificação da ficção com a realidade, ou seja, determinar o que há de real no que o autor diz que é ficção, mas ler o efeito do real como estratégia, realizada através do efeito-autor. A escritura, assim, é vista como o veículo de construção de um “eu”, que leva ao derramamento instável de uma personalidade que conferimos a Roberto Bolaño, mas que nunca poderia ser ele.

Palavras-chave

Auto-ficção, Autobiografia, Literatura latino-americana contemporânea

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