A CRENÇA E A ATITUDE LINGUÍSTICA DO CAPANEMENSE

Daniele Silva Pastorelli

Resumo

Apesar de não utilizar o idioma espanhol, o Brasil faz limite com diversos países falantes desta língua. O Estado do Paraná, por exemplo, possui dezenove municípios limítrofes com o Paraguai e a Argentina. Neste contexto geográfico, está inserida a cidade de Capanema, cujo ambiente multiétnico favorece não só o intercâmbio de mercadorias como também o de cultura, crenças, costumes, e, sobretudo, o linguístico. Este trabalho toma como objeto de investigação a fala dos capanemenses com o objetivo de verificar as visões positivas e negativas desses sujeitos em relação às várias línguas e variedades com as quais convivem cotidianamente. Seguindo a metodologia mentalista (LÓPEZ MORALEZ, 1993), a análise dos dados coletados por meio de entrevistas in locu permitiu concluir que, em relação aos argentinos, a maior parte dos capanemenses apresenta uma atitude positiva, tanto no que se refere ao povo argentino propriamente dito, como à sua língua materna, vista de maneira prestigiosa pelos entrevistados. Quanto aos paraguaios, uma quantidade significativa de informantes demonstrou não vê-los de maneira positiva, apresentando como justificativa para essa recusa a diferença de cultura, a origem indígena, a baixa tecnologia e escolaridade, assim como a questão linguística - guarani, jopará. Já o povo alemão é tido como introvertido por não demonstrar as emoções, mas responsável em tudo que faz. O idioma alemão não foi avaliado positivamente pelos capanemenses, considerado, pois, como difícil e esquisito. Por fim, constatamos que, por acreditarem que a cultura e a língua italianas sejam próximas da existente no Brasil, devido à ascendência latina, os inquiridos reagem favoravelmente diante dos italianos, povo avaliado pelos capanemenses como alegre e espontâneo.

Palavras-chave

crenças e atitudes linguísticas; preconceito linguístico; línguas de contato, Capanema.

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