RESPEITÁVEL PÚBLICO, A PEÇA O AUTO DA COMPADECIDA VAI PARA A TELEVISÃO!

Renata de Oliveira Mascarenhas

Resumo

Este trabalho objetiva apresentar os resultados de um estudo sobre a tradução da estrutura técnica da peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, para a microssérie televisiva homônima, dirigida por Guel Arraes (Rede Globo, 1999). O referido texto dramático tem, em sua estrutura, uma representação dentro de outra, no caso, o auto é representado como parte de um espetáculo circense, tendo como narrador um palhaço que, na postura de autor, apresenta a história, os personagens e, ao longo de todo o texto, faz interferências e interage com o espectador (leitor). Arraes, por sua vez, estabelece uma configuração diferente para a estrutura técnica do seu texto, uma vez que retira a representação do circo popular e insere uma representação audiovisual. Nessa perspectiva, o auto de Arraes apresenta o filme A Paixão de Cristo dentro da microssérie O Auto da Compadecida. Em linhas gerais, verificamos que Arraes transporta para sua tradução a tecnologia da linguagem cinematográfica de seu tempo, reescrevendo o imaginário sertanejo não na perspectiva da arte popular ou do circo, mas dos meios de comunicação de massa. Com este estudo, propomos uma reflexão tanto da adaptação como ato tradutório quanto da intertextualidade entre gêneros decorrente desse processo intersemiótico.

 

PALAVRAS-CHAVE: Tradução Intersemiótica; Literatura; Microssérie.

Palavras-chave

Tradução Intersemiótica; Literatura; Microssérie

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