Memória e identidade brasileira em Baú de Ossos

Gilberto Alves Araujo

Resumo

Através deste artigo pretendemos realizar uma breve análise do romance Baú de Ossos, de Pedro Nava (1974), levando em consideração os conceitos de memória e identidade, conforme Artières (1998) e Candau (2010); além das noções de autobiografia e identidade nacional, segundo Cândido (2006; 1989) e Leujene (2008), Pollak (1992) e Hall (2005). Nessa perspectiva, a obra se projeta para a pós-modernidade, no sentido de fazer emergir contextos de fluidez e de mobilidade, a perda, a melancolia, a insegurança e a ausência. Em uma jornada catártica através do continuum espaço-tempo, Nava parece amenizar a incompletude e a falta, a pobreza de um homem que pensa trilhar um caminho novo. Enquanto explora o passado, ele vai exercitando a representação da identidade brasileira, isto é, a capacidade de manter a nação e seus cidadãos (membros de uma comunidade imaginada) reconhecíveis à medida que o tempo e os eventos se esvaem. Por um lado, sua escrita, nos moldes de um pacto autobiográfico, fá-lo protagonista de sua própria história, e promove nele uma aguda consciência de si mesmo, seu ser cindido e responsabilizado. Por outro lado, seu ofício de anatomista fá-lo enxergar-se como fruto de uma coletividade muito maior, e que, de certo modo, explica-o, compreende-o, fornece-lhe razões de ser e existir.

Palavras-chave

Literatura nacional. Memória. Identidade. Autobiografia.

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