Malabarismos literários em "Galantes e admiráveis aventuras do virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça"

Deisily Quadros, Claudiana Soerensen

Resumo

A obra Galantes e admiráveis aventuras do virtuoso Conselheiro Gomes, O Chalaça, foi publicada no ano de 1994 pelo autor José Roberto Torero. O romance contém as supostas memórias do conselheiro Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, fiel secretário particular de D. Pedro I, personagem que viveu os mais importantes fatos do período do Primeiro Império. A ficção, portanto, tem como matéria o passado histórico ficcionalizado, tratando-se de um Romance Histórico: não repete os grandes acontecimentos passados, mas os ressuscita sob outras perspectivas, sob o olhar do literário, e retrata não o herói clássico, mas o ser humano movido pelos mais diversos sentimentos. Logo, enquanto um discurso literário, ficcional, pode subverter a veracidade da história oficial, recriando-a. É o que faz Torero quando utiliza em sua obra seus malabarismos literários. E é esse jogo literário que será aqui analisado, verificando como se dá a existência dessa tênue linha entre ficção e história, entre o real e o imaginário criado pela literatura. O presente estudo visa, portanto, investigar como o autor problematiza os conceitos de história oficial e ficcional e conta a história factual do Primeiro Império sob o olhar da ficção, sob a expectativa do literário, sob as impressões registradas pela memória de um certo narradorpersonagem, “tomado da mais pura liberdade ficcional”, chamado Chalaça.

Palavras-chave

José Roberto Torero, Literatura Brasileira, Ficção Histórica

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