História, literatura e memória em "Questão de Honra"

Naira de Almeida Nascimento

Resumo

Questão de Honra (1996), romance de Domingos Pellegrini, relê um episódio da Guerra do Paraguai, a retirada da Laguna, sob o prisma de Rufino, um tenente das tropas brasileiras atuando em Mato Grosso como engenheiro militar. A relação do romance com a história justifica-se pela revisão da leitura ufanista, normalmente atribuída ao Visconde de Taunay na narrativa A Retirada da Laguna (1871). Rufino, soldado não comprometido com o poder imperial, proveniente de uma família sem posses, estaria em condições de contar o outro lado que a história oficial calou. Mas, ao cruzar as imagens de seu oponente, Taunay, ele realiza também uma revisão do autor romântico, desdobrando as outras facetas do garboso oficial. Deste modo, sua leitura inscreve-se também no campo literário. Tudo isto é tecido através do discurso memorialístico. O filho de Rufino, já no fim da vida, retoma antigas notas abandonadas que o pai costumava ditar-lhe nos finais de semana a fim de compor um livro sobre a Guerra do Paraguai. A morte de Rufino, no entanto, desarticula a publicação do volume, relegando ao esquecimento as anotações durante muitas décadas no fundo de uma gaveta.

Palavras-chave

Literatura brasileira; Domingos Pellegrini; Visconde de Taunay; Guerra do Paraguai; ficção histórica

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