Filho de seu pai e filho de seus filhos: a releitura de O crime do padre Amaro no século XXI

Claudiana Soerensen

Resumo

O questionamento sobre a transposição de uma obra literária para o cinema que tendia a se concentrar no problema da ‘fidelidade’ foi redimensionado. A adaptação pode ser entendida, conforme propõem diferentes teóricos (Johnson, 2003) como uma forma de dialogismo intertextual; parte de uma teoria geral da repetição (pois as narrativas são de fato repetidas de diversas maneiras e em meios artísticos ou culturais distintos); como livre improviso em torno de um determinado tema; e levando sempre em consideração as circunstâncias históricas, culturais e políticas da adaptação. Compartilhando da idéia de que um cineasta não pega um livro e faz um filme já que em cada modalidade de arte os recursos são diferentes, ressalva-se, porém, que cineastas e romancistas têm em comum o exercício da escolha. A liberdade de organização do mexicano Carlos Carrera interessa-nos aqui como peça fundamental deste trabalho, na medida em que este diretor de cinema baseia seu filme O Crime do Padre Amaro na obra homônima de Eça de Queirós. O teórico e diretor de cinema Andrei Tarkovski (1994) argumenta que o cinema deve explorar os problemas complexos de cada época assim como eles servem, há milênios, à literatura, à música e à pintura. A escolha do diretor Carlos Carrera e do roteirista Vicente Leñero foi de transpor a obra de Eça de Queirós de 1875 para o ano 2002; e o Padre Amaro terá seu crime atualizado, explorando problemas de nosso tempo e justificando um dos ideais do Realismo: ser contemporâneo.

Palavras-chave

Literatura e Cinema; O Crime do Padre Amaro; Eça de Queiros e Carlos Carrera.

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