A REESCRITA DO PASSADO EM GALANTES MEMÓRIAS E ADMIRÁVEIS AVENTURAS DO VIRTUOSO CONSELHEIRO GOMES, O CHALAÇA

Isis Milreu

Resumo

: A proposta deste trabalho é analisar as relações entre a literatura e a história presentes no romance Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça (1994), de José Roberto Torero. Esta obra recria as aventuras do Conselheiro Gomes, mais conhecido como Chalaça, secretário particular e de alcova do Imperador Pedro I. Ao ficcionalizar um personagem histórico que participou de relevantes acontecimentos da história brasileira, mas que por ser considerado um anti-herói foi marginalizado pela historiografia oficial, o romance permite que os leitores penetrem nos bastidores da história nacional através do olhar periférico de seu protagonista. Desse modo, nos propomos a examinar a referida narrativa a partir do diálogo entre o discurso histórico e o literário na citada obra de Torero, investigando como o autor reescreve um importante período do passado brasileiro. Em nossa leitura, usaremos como ponto de partida as teorias do crítico uruguaio Fernando Aínsa que aponta em seu texto “La nueva novela histórica latinoamericana” algumas marcas comuns a diversas produções contemporâneas que reescrevem o passado, classificando-as de Novo Romance Histórico Latino-americano. Assim, abordaremos a narrativa de Torero sob a perspectiva apresentada por Aínsa, verificando se o livro Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça pode ser inserido na categoria proposta pelo crítico uruguaio.

Palavras-chave

Literatura e História; Literatura Brasileira Contemporânea; Chalaça; José Roberto Torero; Novo Romance Histórico Latino-americano.

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