Imagens da América em "El otoño del patriarca"

Wellington R. Fioruci

Resumo

O presente artigo propõe-se a explorar, a partir de uma análise concisa, as relações
entre os discursos mítico e histórico no romance de Gabriel García Márquez El otoño del
patriarca (1975). A produção literária hispano-americana que aflorou no chamado movimento do
Boom editorial em meados da década de sessenta do século passado manteve intensa relação
com a história do continente americano. A memória do continente é reelaborada no espaço
inventivo do discurso ficcional, no cerne do qual o tempo mítico e o tempo histórico enfrentamse
num tour de force plurissignificativo. De Colombo à presença norte-americana em terras
latinas, o romance reconstitui o passado por meio de uma linguagem simbólica, evocadora. Para
tanto, a narrativa inverte a perspectiva do colonizador, do discurso oficial, dando a palavra ora ao
ser autóctone, ora ao cidadão americano, mestiço, muitas vezes, asseclas a serviço do poder
estrangeiro. O relato polifônico é, assim, pluridimensionado, tendo como foco a figura atemporal
do patriarca, personagem sem nome que remete ao arquétipo do ditador latino-americano. O
escritor colombiano consegue em El otoño del patriarca conduzir com primor seus leitores pela
estranha realidade de um país tão mítico quanto seu ditador, realidade esta que vai se revelando
não menos absurda e complexa que a história sobre a qual ela se erige.

Palavras-chave

Gabriel García Márquez; El otoño del patriarca; América; História; Ficção.

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