QUASE SERES HUMANOS: UMA ANÁLISE DO CONTO “COISAS”, DE SARAMAGO

Wellington Fioruci

Resumo

Publicado em 1978, o livro de contos Objecto quase, de José Saramago, está formado por seis narrativas com acentuado tom político e alegórico, traço emblemático da poética desse autor português. Nesse sentido, é possível estabelecer três grandes eixos temáticos sob os quais se estrutura a obra, sendo eles a ficção política, o texto lírico e a ficção social. O presente artigo pretende focar sua análise no quarto conto, intitulado “Coisas”, que vem a compor o terceiro eixo temático já citado. A escolha deste conto se deve à sua construção tão singular quanto representativa da literatura saramaguiana. Singular na medida em que cria um espaço surreal, no qual objetos e pessoas vão assumindo funções atípicas, a ponto de haver a inversão de papéis entre ambos. A despersonalização humana e a inusitada humanização dos objetos demonstram, por conseguinte, a crítica do autor em relação à sociedade consumista contemporânea. 

Palavras-chave

Objecto quase; José Saramago; narrativa fantástica; narrativa político-alegórica; literatura contemporânea.

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