Reflexões sobre o trabalho docente: o mal estar da performatividade na sociedade do cansaço

Márcio Issler, Ieda Maria Kleinert Casagrande, Katiucia de Oliveira Peres, Adrian Alvarez Estrada, José Carlos dos Santos

Resumo


O dia a dia dos profissionais da educação que atuam na docência é constantemente marcado por uma demasiada carga de trabalho, pautada no esforço, pressão externa e na velocidade com que realizam suas funções. Tal fato tem gerado prejuízos à saúde física e mental dos professores, transformando seu trabalho em sofrimento. A intenção do estudo é apresentar algumas reflexões desenvolvidas pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a partir do conceito de Sociedade do Cansaço e sua relação com os estudos de Stephen Ball sobre performatividade. Considerando que o excesso de trabalho e a ausência de alteridade têm produzido um fluxo histérico de produção e grande inversão de valores, resultando uma sensação de cansaço no mundo contemporâneo, compreende-se que o modo de produção em que vivemos, para além de explorar a força de trabalho, alavanca o desenvolvimento de doenças e da depressão. O intuito do artigo não é, especificamente, apresentar o significado da depressão e seus sintomas, mas considerar o tipo de sociedade em que vivemos, que se baseia na crença do “sim” e de que tudo é possível. Vivemos numa sociedade que busca incessantemente a qualidade, a performatividade e a excelência da atuação do profissional docente. Tais fatos levam o sujeito a uma falsa liberdade. Ao se compreender como ser livre, senhor das próprias ações e decisões, na verdade, se encontra imerso a uma auto exploração para chegar à qualidade e a performatividade esperada. O movimento de exploração gera uma liberdade paradoxal, que acaba se manifestando patologicamente nos adoecimentos psíquicos do professor.


Palavras-chave


Sociedade do Cansaço. Produtividade. Desempenho. Trabalho docente.

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