A integração nas cidades-gêmeas da fronteira Brasil-Bolívia: elementos de cooperação e conflito

Vicente Giaccaglini Ferraro Jr

Resumo

O processo de integração na fronteira Brasil-Bolívia é condicionado por diversas contradições entre elementos que reforçam tanto a cooperação quanto o conflito de interesses. Nesse sentido, o limite internacional é um mecanismo de controle que propicia benefícios e oportunidades a determinados atores, ao mesmo tempo em que eleva o potencial de riscos e custos para outros. O presente artigo almeja identificar os principais elementos de cooperação e conflito que condicionam a integração na região, bem como os atores locais beneficiados ou prejudicados pela situação de fronteira. Inicialmente apresentamos os fatos históricos que marcaram o povoamento da região para, em seguida, discorrermos sobre as interações socioculturais e comerciais entre brasileiros e bolivianos. A pesquisa contou com trabalho de campo e entrevistas realizadas nas principais cidades-gêmeas da fronteira Brasil- Bolívia, propriamente em Corumbá-Ladário (Mato Grosso do Sul) / Puerto Quijarro-Puerto Suárez (Santa Cruz), Guajará-Mirim (Rondônia) / Guayaramerín (Beni) e Brasileia-Epitaciolândia (Acre) / Cobija (Pando). Concluiu-se que a dicotomia cooperação-conflito está intrinsecamente associada à relação entre custos e benefícios propiciados pelo limite fronteiriço a diferentes atores e grupos sociais. À parte de observações comuns às cidades-gêmeas, cada qual apresenta características sui generis, o que reforça a velha máxima “cada fronteira é uma fronteira”.

Palavras-chave

Integração; cidades-gêmeas; fronteira Brasil-Bolívia; limite fronteiriço.

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