ARTE SACRA EM TEMPOS SOMBRIOS (1970-2018): A PINTURA MURAL DE FREI JUVENAL BOMFIM NA IGREJA MATRIZ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO EM PORTO DA FOLHA (SE)

Antônio Fernando de Araújo SÁ

Resumo


O artigo tem por objetivo analisar a pintura mural da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Porto da Folha (Sergipe), realizada por Frei Juvenal Bomfim, no ano de 1970, como exemplo da representação artística das ideias do Concílio Vaticano II nos sertões nordestinos. Além disso, o mural simbolizava a resistência cultural ao autoritarismo da ditadura militar, estabelecendo um fecundo diálogo com outros artistas contemporâneos em torno da cultura e religiosidade populares na reconstrução do cotidiano dos setores excluídos da sociedade brasileira dos anos 1960 e 1970.

A luta pelo processo de tombamento desse bem cultural desencadeado pela comunidade local evidencia a preocupação de se estabelecer laços de continuidade entre o passado e o presente, num momento de disputas sociais e teológicas no âmbito da Igreja Católica. Entretanto, sua destruição, em 2018, autorizada pela Diocese de Propriá, responsável pela paróquia, fortalece a necessidade da ampliação do debate para que o direito ao passado seja uma das dimensões fundamentais da plena cidadania no Brasil, estabelecendo os limites e as possibilidades de diálogo entre a memória pública e a memória privada. 


Palavras-chave


Igreja Católica, Arte Sacra, Patrimônio Cultural, Memória.

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