Histórico do periódico

Trama é a revista do Curso de Letras da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), campus e Marechal Cândido Rondon, que teve sua origem associada à vontade e à necessidade dos docentes do Curso, de apresentarem a síntese de seus trabalhos científicos, como também, de intercambiarem experiências com trabalhos de outros colegas e instituições.

Especificamente, são dois os objetivos da Revista Trama: a) publicar e divulgar trabalhos indéditos na área de Letras e Cultura; b) possibilitar um debate teórico e analítico vinculado à área de enfoque.

Através do título do periódico, é possível estabelecer alguns pressupostos, mesmo correndo o risco de - fugindo da etimologia - adentrar o terreno do simbólico. Trama implica tecer, entrelaçar, armar, urdir, maquinar, intrigar, enredar, conspirar. A qual desses verbos está associada a ação significativa da revista? A todos e, em especial, a nenhum. Na verdade, o trabalho com a linguagem supõe a presença de fios que se entrelaçam numa rede de novos significados. O tecer remete ao fascínio das fiandeiras e penetra o domínio do ritmo e da continuidade, dos movimentos duais do ir e vir, do fazer e desfazer, do dia e da noite - tão bem representado pela história de Penélope e pelas produções ligadas às parcas e às moiras - na relação com a fiação do tempo ou do destino. Resgatando, pois, o sentido mítico original, a Trama propõ-se a tecer ideias na área da linguagem.

Assim, a Trama tenta abarcar, enquanto proposta constitutiva de difundir resultados de pesquisas acadêmicas, uma diversidade de temas e formas de abordá-los, quer no âmbito dos estudos linguísticos, quer nos estudos literários. 

A trama a que a revista se propõe busca inspiração, também, na tela artística do pintor Piet Mondrian (1872-1944), a qual serviu de base à projeção da capa. Interessado pela experiência da "pintura abstrata", Mondrian - criador do Neoplasticismo - construiu seus quadros a partir de linhas retas e cores puras, com ênfase nas formas geométricas, através de um equilíbrio assimétrico da composição. O sentido do ritmo horizontal e vertical, expresso em suas obras, dá uma medida de quem perseguiu o novo, a despeito da tradição. A pintura de Mondrian, como enfatiza Gombrich (1972), ansiava por "uma arte de clareza e disciplina que refletisse, de algum modo, as leis objetivas do universo". É possível que tal ânsia não se revele importante para quem concebe a arte diferentemente.

É muito possível que um quadro que contém apenas dois quadrados tenha causado ao seu redor mais preocupação do que a causada a um artista do passado para pintar uma Madona. Pois o pintor da Madona sabia o que tinha em mira. Tinha a tradição como seu guia e o número de decisões com que se defrontava era limitado. O pintor abstratato, com seus dois quadrados, está numa posição menos invejável. Pode mudá-los de um lado para outro em sua tela, tentar uma infinidade de possibilidades sem nunca saber quando e onde parar. Mesmo que não compartilhemos do seu interesse, não temos o direito de zombar de seu laborioso esforço auto-imposto.

A preocupação dos que se valem da linguagem para exprimir sua forma de conceber o mundo é, também, por outros caminhos, semelhante à do artista: um enfrentamento com o dogma e com a defesa de novas ideias, quer em termos de teoria, quer em termos de análises temáticas, quer em termos de ténicas de expressão.

Por essa razão, os organizadores da Trama, entendendo que o conhecimento não é um universo acabado, mas supõe a mudança dos ritmos e sentidos, das diversas tonalidades de que se impregna o saber, creditam a validade da revista à possibilidade de discutir, refletir e permutar conhecimentos. Valendo-se de uma citação de Mondiran (1990), é possível destacar, sinteticamente, o objetivos da presente revista: "a cor só existe graças a outra cor; a dimensão se define mediante outra dimensão; somente há posição por oposição à outra posição". - Profa. Maria Beatriz Zanchet

Texto de apresentação da Revista Trama| Vol 1, nº1, 1º sem, 2005. (Orgs. Profa.Maria Beatriz Zanchet e Prof. João Carlos Cattelan (Editor)).