A publicidade como construção da memória do futuro: “Pelo direito à indiferença”

Alexandre Sebastião Ferrari Soares

Resumo

A memória discursiva é trabalhada pela noção de Interdiscurso: “algo fala antes, em outro lugar e independentemente”. A partir de um anúncio publicitário da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA) de Portugal (“Pelo direito à indiferença”) como forma de escapar dos gestos interpretativos já marcados por um interdiscurso (memória do dizer), analiso a construção do discurso das minorias sexuais em confronto com o discurso hegemônico sobre a sexualidade. Se não há réplicas ou polêmicas, os sentidos da formação discursiva política dominante se instalam e se disseminam com maior facilidade.Não é perceptível para o sujeito (envolvido historicamente) a produção de sentidos que se processa de um trabalho no plano da língua (seja no plano das operações sintáticas descritas, seja pelo conjunto da memória mobilizada lexicalmente). O sujeito da análise do discurso de orientação francesa (AD) não é o sujeito empírico, mas a posição sujeito projetada no discurso. E isso se dá no jogo das chamadas formações imaginárias que presidem todo dizer: a imagem que o sujeito faz dele mesmo, a imagem que ele faz de seu interlocutor, a imagem que ele faz do objeto do discurso. Assim como também tem a imagem que o interlocutor tem de si mesmo, de quem lhe fala, e do objeto do discurso.

Palavras-chave

discurso; sentido; memória

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