BRÁS CUBAS À LUZ DE BAKHTIN

Clarice Lottermann

Resumo


O presente estudo objetiva analisar a obra Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, tomando como pressupostos os conceitos elaborados por Bakhtin nas obras A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais e Problemas da poética de Dostoievski. Considerando-se que, na obra de Machado de Assis, é um narrador defunto que conta a sua história, depois de ter seu corpo já corroído pelos vermes, observa-se como a orientação para o baixo, o olhar de trás para frente, o movimento da morte para o nascimento são enfaticamente marcados.Com base nos estudos de Bakhtin, pode-se observar como o narrador defunto apresenta um discurso em que o rebaixamento das coisas elevadas (virtudes, valores morais, senso de justiça e solidariedade) é constante. Entretanto, deve-se realçar que, ao contrário da perspectiva bakhtiniana, não há, na obra machadiana, possibilidade de reabilitação da condição humana, visto que o narrador, além de dedicar a obra aos vermes que roeram as marcas da sua existência, ao fazer um balanço da vida, tem como único saldo positivo o fato de não deixar descendência.


Palavras-chave


Machado de Assis; Memórias póstumas de Brás Cubas; Bakhtin

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