A exposição das tensões humanas nas narrativas de Dinorath do Valle: uma caipira cosmopolita

Enedir Silva Santos, Vera Lucia Guimaraes Rezende

Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar as narrativas produzidas por Dinorath do Valle, autora que viveu toda a sua vida no interior de São Paulo e é praticamente desconhecida do mundo acadêmico e do público leitor. Embora tenha sido premiada em vários concursos literários e conste entre as autoras reunidas por Nelly Novaes Coelho em seu Dicionário crítico das escritoras brasileiras (2002), a produção de Dinorath ainda ocupa um lugar à margem, assim como o de muitas outras escritoras brasileiras. Para chegar ao mercado editorial, construiu para si a identidade de caipira, entretanto, sua escrita não se atém às temáticas do interior; é extremamente cosmopolita, abordando o cerne das tensões humanas, muitas delas frutos da violência simbólica assimilada cotidianamente, como definiu Pierre Bourdieu (2002). Depois de publicada, utiliza a ficcionalidade para dar voz a narradores e personagens que denunciam a miséria e a desigualdade da população brasileira de uma forma amarga e crua. À luz das ideias de Reis (1992) sobre o canôn, Dalcastagnè (2012) sobre o lugar ocupado pelas mulheres diante do mercado literário e Zolin (2009) sobre a literatura de autoria feminina, entre outros estudiosos, este trabalho propõe abordar a obra literária de Dinorath do Valle em O vestido amarelo, de 1976, com objetivo de evidenciar a qualidade temática de sua narrativa.

Palavras-chave

Literatura Feminina; Narrativa; Exclusão; Violência.

Texto completo:

PDF