Conceição Evaristo e as configurações de um Bildungrsroman de pobre

Luiz Carlos Felipe, Alba Krishna Topan Feldman

Resumo

A publicação do romance Ponciá Vicêncio (2003) coincide com algumas proposições de bases legais na área da educação e da cultura, vindas à luz no decênio 1995-2005. Primeiramente, parto dessa análise contextual para ler o romance de Conceição Evaristo como uma proposta parodística ao modelo de Bildungsroman eurocêntrico. Essa narrativa rompe com a tradição burguesa desse gênero literário. Afinal, é uma escritora negra, contando a história da infância, da juventude e da maturidade de uma mulher negra, periférica, pobre e – diferentemente do que ocorre no romance de formação tradicional – cuja experiência de vida não contabiliza vitórias pessoais exemplares, dignas de orgulho. Ponciá Vicêncio protagoniza, em seu projeto de viver na cidade, a derrota não só como mulher e esposa, mas também como mãe. Então, o que quer esse antirromance de formação? Partindo dos estudos de Duarte (2006, 2011), Maas (2000), Woodward (2000) e Schmidt (2009), tomo por base a análise da Bildung na literatura contemporânea de autoria negra, com o objetivo de responder a essa questão. Relaciono as implicações entre os conceitos de formação e de identidade, utilizando-me do afrocentrismo na perspectiva de Nogueira Júnior (2010) e Nascimeto (2016). Esses posicionamentos teóricos são contextualizados e visam colaborar para a configuração de uma Bildung negra e sua expressão literária.

Palavras-chave

Conceição Evaristo; Literatura negro-brasileira; Bildungsroman; Afrocentrismo.

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