CORRELAÇÃO DE VARIÁVEIS ESPIROMÉTRICAS DE IDOSOS COM SUAS CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS

Dayane Batista Franzes, Vanessa Cecatto, Mariana Laís Boaretto, Joseane Rodrigues da Silva Nobre

Resumo

Estima-se que o Brasil seja o sexto país com mais idosos no mundo e com aumento de doenças crônico-degenerativas não transmissíveis. Dentre estas, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) que evolui com alterações lentas e irreversíveis do sistema respiratório e associa-se com a redução da força muscular respiratória, mobilidade torácica e função pulmonar observada nos idosos. O objetivo deste trabalho foi correlacionar as variáveis espirométricas, características epidemiológicas, Saturação periférica de Oxigênio (SpO2) e contagem de dispnéia (BORG) em idosos sintomáticos sem tratamento medicamentoso. Trata-se de uma pesquisa quantitativa de caráter exploratório, realizada no ambulatório do Hospital Universitário do Oeste do Paraná. Foram coletados dados dos prontuários de pacientes que realizaram a espirometria entre janeiro de 2015 e junho de 2016. A amostra foi de idosos, que apresentaram obstrução na espirometria e não realizavam tratamento medicamentoso para a desordem pulmonar. As variáveis coletadas foram idade, sexo, laudo espirométrico, Volume Expirado Forçado no primeiro segundo (VEF1), Capacidade Vital Forçada (CVF), SpO2, contagem de dispnéia (BORG), tabagismo e uso de medicação pulmonar contínua. Foi aplicado o teste de Kolmogorov-Smirnov e estatística descritiva simples. Para as correlações foi empregado o teste R de Pearson, empregando o nível de significância de 5%, utilizando o software SPSS® Versão 22.0. Obteve-se uma média de idade de 72,06 anos (±7,58). Os participantes foram classificados como sobrepeso. Cerca de 60% tiveram contato com o tabaco e 64% dos pacientes relataram dispnéia, porém nenhum apresentou SpO2 abaixo de 90%. Na espirometria 76% apresentou obstrução de moderada a severa e a média de VEF1 foi de 1,45L (± 0,5) e de CVF de 2,46L (± 0,78). Ao analisar os dados foi possível encontrar uma correlação inversa e estatisticamente significativa entre escala de BORG e VEF1 (r=-0,509). Conclui-se que idosos com estas características possuem alta exposição ao tabaco e que há uma relação inversamente proporcional entre a escala de BORG e o VEF1, mostrando afinidade da dispnéia com as alterações fisiológicas e estruturais nestes idosos.

Palavras-chave

Idoso; Espirometria; Tabagismo.

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