COMPARAÇÃO DA ÁREA DE SECÇÃO TRANSVERSA DOS MÚSCULOS OBLÍQUO INTERNO, OBLÍQUO EXTERNO E TRANSVERSO ABDOMINAL DE INDIVÍDUOS COM E SEM DOR FEMOROPATELAR E A RELAÇÃO COM A SUA SINTOMATOLOGIA

Gabriel Segatti, Eduardo Gasoto, Eduarda Bosa Dalmolin, Carlos Eduardo de Albuquerque

Resumo

A Dor Femoropatelar (DFP) é caracterizada por dor difusa na região anterior e/ou retropatelar do joelho. Apesar da alta incidência, sua etiologia permanece desconhecida. Recentemente alterações cinemáticas no plano frontal e de força muscular no abdome foram reportadas. No entanto, nenhum estudo investigou se indivíduos com DFP apresentam alterações na área de secção transversa (AST) destas musculaturas. Dessa maneira, objetivou-se comparar a AST dos músculos transverso abdominal, oblíquo interno e externo de mulheres com DFP e assintomáticas e correlacioná-la com a dor autorreportada de mulheres com DFP. Foram avaliadas 22 mulheres por grupo. A dor autorreportada foi obtida por meio da Escala Visual Analógica, no primeiro dia de avaliação. A AST foi mensurada por meio do Ultrassom Shimadzu SDU 450xl (Columbia, USA), bilateralmente. As imagens de ultrassom foram coletadas com indivíduo deitado em posição supina. As imagens foram mensuradas pela distância da superfície interna superior e inferior das fáscias dos músculos correspondentes em sua porção mais ampla. As imagens foram coletadas durante a fase expiratória visando o controle dos movimentos respiratórios. Os dados demográficos (idade, peso e altura) e a AST foram comparadas entre grupos por meio de testes t independente. As correlações foram feitas por meio da matriz de correlação de Pearson. Todos os testes estatísticos foram feitos no com alfa de 0,05. Houve diferença significativa entre grupos na AST dos músculos oblíquo interno (GC - 41,1; GDFP - 35,5) e oblíquo externo (GC - 28,4; GDFP - 24,3). Em relação ao músculo transverso abdominal, não houve diferença significativa (GC - 20,2; GDFP - 19,3). Além disso, houve correlação significativa entre a AST e a dor autorreportada. Conclui-se que mulheres com DFP apresentam alteração na AST do oblíquo externo e interno, tendo relação com sua sintomatologia. Portanto, as alterações cinemáticas e de força muscular no plano frontal do abdome reportadas na literatura parecem apresentarem relação com a AST do oblíquo interno e externo, ao contrário do que acontece com o transverso abdominal.

Palavras-chave

Ultrassom; Dor no joelho; Músculos abdominais.

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