CHAMADA DE ARTIGOS DOSSIÊ NEOEXTRATIVISMOS NA AMÉRICA LATINA: TERRITÓRIOS E RESISTÊNCIAS

29-06-2021
Convidamos pesquisadores e pesquisadoras a submeter publicações no dossiê Neoextrativismos – territórios e resistências. Ele é um instrumento temático importante da Revista Ambientes – Geografia e Ecologia Política. Este terceiro dossiê é um espaço aberto para o diálogo, a reflexão e a divulgação de múltiplas vozes e variadas realidades brasileiras e latino-americanas procurando evidenciar os lugares que sofreram/sofrem com o extrativismo industrial nos moldes do “capitalismo selvagem” (mineração de recursos não renováveis como minério, carvão mineral, petrôleo), causa de tensões sociais, devastação ambiental e desastres socio-técnicos. São ambientes ligados a um tipo de extração de recursos naturais em grande volume ou alta intensidade e que estão orientados como matérias primas essencialmente para sustentar os modos de produção e consumo do espaço da(s) sociedade(s) urbano-industrial-capitalista(s), organizada(s) em redes urbanas globalizadas que reforçam as relações assimétricas entre centro(s) e periferia(s) herdadas da era do colonialismo.Os eixos temáticos que o dossiê contará são os seguintes:a) Globalização perversa e Neoextrativismos: Este eixo é dedicado a trabalhos que investiguem a mundialização do capitalismo sob a clivagem empírica dos extrativismos em escala planetária. De modo a assegurar o metabolismo da sociedade urbana à escala planetária, é necessário abrir novos "espaços ambientais", sobretudo através de grandes corporações transnacionais. Como elementos-chave na continuação do projeto colonial, estão na eterna procura de oportunidades de acumulação de capital através da apropriação simbólica e material de novos territórios. O resultado são conflitos ambientais em territórios de povos tradicionais, camponeses e indígenas, que reforçam as tendências para o genocídio destes grupos, muitas vezes permeadas por motivações racistas.b) Gestão do Território e Neoextrativismos: Em diálogo com o eixo anterior, aqui procura-se identificar as mudanças do marco regulatório em relação às atividades neoextrativistas, reestruturando relações de poder entre instituições públicas, judiciário, e entidades da sociedade civil e movimentos sociais. Neste espaço, serão aceitas pesquisas que procurem evidenciar os diversos (des)ordenamentos que essas atividades provocam nos territórios e como os atores reagem ou resistem a esse processo, em defesa dos seus territórios e modos de vida.c) (Des)envolvimentos e Neoextrativismos: Aqui serão aceitas pesquisas que procurem evidenciar o (des)envolvimento, as suas raízes no colonialismo e a reafirmação consensual em todas as vertentes políticas hegemônicas. Neste sentido, procura-se entendê-lo como uma narrativa referenciada em uma parte específica do mundo, no caso, a Europa e que são responsáveis pelos diversos fatores de entropia no contexto da tendência da urbanização planetária promovida pela ideologia do desenvolvimento, provocando tensões profundas entre as formas da produção do espaço da(s) sociadade(s) ditas modernas e as territorialidades sociobiodiversas não urbanas.d) Questão Agrária/Territorial e Neoextrativismos: Neste eixo receberemos trabalhos que versão sobre as lógicas neoextrativistas e seu rebatimento no campo. São investigações que discutam a apropriação da terra pela lógica "monocultural" dos extrativismos.  A transformação de paisagens inteiras, com toda a sua sociobiodiversidade, em locais de extração de matérias-primas para a produção de riqueza abstrata, não só causa uma desterritorialização das comunidades rurais, muitas vezes, tradicionais, mas também efeitos negativos ao ambiente físico que extrapolam os territórios inerentes à atividade extrativa. O enfoque está nas consequências para os modos de vida e produção originários nestes territórios. Tais processos contribuem para um esvaziamento do campo e resultam em uma mudança social forçada que transforma os grupos rurais anteriormente autônomos em mão-de-obra urbano-industrial subordinada à heteronomia do emprego precário e do sub-emprego.e) As cidades e os Neoextrativismos: Neste eixo serão aceitos trabalhos relacionados ao papel das cidades caraterizadas por uma dependência ou “vocação” extrativista. Uma vez que as atividades extrativas são frequentemente o início ou, pelo menos, um acelerador da produção do espaço urbano - ideologicamente chamados pólos de desenvolvimento - que também impõem à população a lógica capitalista da divisão do trabalho. Dada a disponibilidade finita da maioria dos recursos explorados pelo extrativismo industrial, o futuro incerto destas cidades representa um desafio para o planejamento urbano e regional. Procuram-se trabalhos que colocam em evidência os desafios resultantes e os diversos processos de resistências construídos no interior das cidades ameaçadas pelos neoextrativismos.  SEÇÕES DO BOLETIM  - Artigo de análise: Artigos de reflexão crítica com aprofundamento na argumentação e conteúdos relacionados quer com a temática do Dossiê, quer com outros tópicos relacionados com o conteúdo geral da Revista Ambientes;- Cartografias / Infográficos: Espaço expositivo de materiais cartográficos e infográficos que retratam processos relacionados com a temática do Dossiê.- Entrevistas: Seção dedicada à apresentação de entrevistas / conversas / diálogos que dão conta de uma troca de saberes espaço-temporais, culturais, econômicos e políticos com professores, pesquisadores, lideranças indígenas - camponeses, lideranças de movimentos sociais relacionados ao netoextrativismos;- Resenhas: comentários e análises críticas de livros que versam sobre os temas do dossiê;- Foto-ensaios: Espaço para gerar outras narrativas de representação da realidade através de fotografias e textos curtos do dossiê com a temática dos Neoextrativismos e suas resistências na América Latina. REGRAS PARA PUBLICAÇÃOChamada e período de publicaçãoPeríodo de envio: 01 de Junho a 27 de setembro de 2021.Publicação: Dezembro de 2021Submissão pelo sítio da Revista Ambientes:http://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientesOs artigos devem ser submetidos por meio da plataforma digital de AMBIENTES. Para submissão de artigos é necessário que o(a) autor(a) se cadastre no site. O link para acesso e cadastro na revista é: http://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientes.Consulte, antes da submissão, o Guia de Orientação para os Autores:(http://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientes/issue/viewIssue/1118/115). E-mails para contato: fabianobringel@uepa.brklemens.laschefski@gmail.comrevista.ambientes@unioeste.br Página Web:  http://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientes Facebook da Rede de Pesquisadores Geografia Ambiental: https://www.facebook.com/Rede-de-Pesquisadores-em-Geografia-Ambiental-106584804583697