Teologia da libertação
a inversão hermenêutica do Dasein pela angústia dos pobres
DOI:
https://doi.org/10.48075/aoristo.v9i1.37504Palavras-chave:
Hermenêutica da facticidade, Teologia da Libertação, Dasein, AngústiaResumo
Na obra Ser e Tempo, precedida pelo curso intitulado Ontologia: Hermenêutica da facticidade, Martin Heidegger formulou uma nova forma de hermenêutica, voltada para a questão da consciência histórica. Para o filósofo, a tarefa da interpretação parte da vida fática entendida como fenômeno originário a partir do qual o intérprete se conduz para analisar seu objeto, que não pode ser analisado conforme esquemas hermenêuticos tradicionais, já que eles acabam por inviabilizar a sua compreensão ontológica, distantes da forma como o homem se relaciona com o mundo circundante. A hermenêutica da facticidade seria, portanto, um método ontológico de compreensão da estrutura existencial do ser, que se dá por meio da angústia, mas que não se confunde com o ser-aí do ente a ser conhecido. Nesse sentido, surge a questão do sentido da teologia da libertação e sua proposta de superação da situação de exploração e opressão da situação existencial dos pobres, por meio da práxis política. Em que pese a opção evangélica dos Evangelhos pelos pobres, essa teologia é criticada pelo Magistério da Igreja Católica e pela Tradição Apostólica. Por isso, este trabalho tem como objetivo analisar a Teologia da Libertação por meio do método ontológico proposto por Heidegger a fim de distinguir o que vem a ser a angústia e o Dasein dessa teologia. Para isso, será
necessário expor a filosofia hermenêutica de Heidegger, a fim de analisar a fundamentação teórica da teologia da libertação e então compreender a angústia e seu sentido ontológico, bem como os problemas epistemológicos que fundamentam a crítica à sua ideia principal. A importância deste problema é relevante não só para a Teologia como também para todos aqueles que são explorados e oprimidos, uma vez que equívocos epistemológicos podem resultar no oposto da proposta de
libertação dos pobres, além da instrumentalização da fé daqueles que são mais vulneráveis. Isso porque, antes de serem pobres e explorados, esses entes são seres humanos e seu Dasein não se confunde com a situação que experimentam no mundo e lhes causa angústia. Trata-se de pesquisa que utilizou o método de abordagem indutivo, fundamentado basicamente em pesquisa bibliográfica explicativa.
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