Formação de professores para o ensino da argumentação emancipadora e decolonial – concepções e perspectivas
DOI:
https://doi.org/10.5935/1981-4755.v27n62a02Resumo
A formação continuada de professores no Brasil tem sido historicamente marcada por desafios estruturais e por perspectivas frequentemente compensatórias, em detrimento de processos formativos voltados à atualização crítica e ao aprofundamento teórico- metodológico. Assim, o presente artigo discute resultados do projeto extensionista Ensino de Argumentação na Escola (ENARE), idealizado na Universidade Federal de Sergipe, cuja proposta está centrada na formação de professores da educação básica (em exercício) para o ensino da argumentação. Ancorado na articulação dos estudos da argumentação na interação aos pressupostos dos letramentos no campo da Linguística Aplicada, o projeto adota uma perspectiva decolonial e emancipadora, que prioriza a centralidade das perguntas, a leitura de mundo, a prática interacional como práxis social e o reconhecimento das experiências docentes como eixo formativo. O artigo apresenta dois objetivos: analisar em que medida as atividades dos Cadernos de Projetos, elaborados para docentes dos anos iniciais de São Cristóvão-SE e para os de Língua Portuguesa de Maricá-RJ, atendem às bases teórico-práticas definidas e contrastar as posições manifestadas por participantes das formações, a fim de compreender como o ENARE contribui para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem da argumentação no ensino fundamental. Com base em uma metodologia documental comparativa, os resultados indicam que a proposta formativa favorece práticas reflexivas, colaborativas e socialmente situadas, reforçando a potência da abordagem interacional no ensino de argumentação. Apesar disso, observa-se ser importante garantir a efetiva participação dos professores no processo formativo, para que a formação continuada não se mantenha restrita a uma organização unilateral e demasiadamente técnica.
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