Lygia Fagundes Telles às Margens da História

Autores/as

  • Rodrigo Maroja PPGHIS/UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.48075/28weab60

Resumen

Este ensaio analisa a convergência entre narrativa ficcional e experiência histórica na obra de Lygia Fagundes Telles, tomando como objeto central o romance As Meninas (1973). A investigação parte da premissa de que a literatura não atua sendo mero espelho documental, mas como um "artefato verbal" (White, 1994) capaz de refigurar a temporalidade e dar inteligibilidade ao trauma coletivo. Estruturalmente, o ensaio percorre a evolução da escrita lygiana, da clausura doméstica dos anos 1940 à maturidade política da década de 1970, observando como a cidade de São Paulo transita de cenário a agente sobre as subjetividades. Fundamentado nos conceitos de "tempo narrado" de Paul Ricoeur e na "literatura testemunhal" de Márcio Seligmann-Silva, discute-se como o romance em questão inscreve as fraturas da Ditadura Militar brasileira através do fluxo de consciência e da polifonia de suas protagonistas. Conclui-se que a estética de Telles estabelece uma "política da memória" que confronta os silêncios da historiografia oficial, apresentando a ficção como uma fonte indispensável para a compreensão das permanências autoritárias e das zonas de sombra da experiência humana na história recente do Brasil.

Biografía del autor/a

  • Rodrigo Maroja, PPGHIS/UFRJ

    Historiador pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestrando em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS/UFRJ) e em Literatura Contemporânea pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade (PUC-Rio). Se interessa por temáticas que envolvam história, memória e literatura. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1089569110992314. Orcid: https://orcid.org/0009-0002-0117-0282  

Publicado

01/07/2026

Número

Sección

LITERATURA E HISTÓRIA: APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS

Cómo citar

MAROJA, Rodrigo. Lygia Fagundes Telles às Margens da História. Revista de Literatura, História e Memória, [S. l.], v. 22, n. 39, 2026. DOI: 10.48075/28weab60. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/rlhm/article/view/36979. Acesso em: 10 jul. 2026.