A CHANSON DE ROLAND NA GÊNESE DO GRANDE SERTÃO: UM EXERCÍCIO DIALÓGICO

Autores

  • Eduardo José Tollendal

DOI:

https://doi.org/10.48075/rt.v10i19.9766

Palavras-chave:

criação literária, apropriação, intertextualidade, ficção,

Resumo


Este artigo tem como objetivo apresentar um estudo comparado entre o
romance Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, e a Chanson de Roland,obra anônima
da tradição medieval francesa. Procuro demonstrar como o processo de criação da
obra rosiana, que repousa sobre a linguagem, a memória e um imaginário próprio do
território sertanejo, remete o leitor à escrita desta canção de gesta que remonta ao
século XI; mais precisamente, procuro mostrar como João Guimarães Rosa, sobretudo
em algumas passagens épicas da sua narrativa, procede à apropriação textual da Chanson,
como se dela fizesse uma paráfrase no nível mesmo da enunciação literária. Assim
procedendo, seu processo de criação sustenta-se na intertextualidade, caracterizando-
se como um exercício dialógico que extrapola o caráter documental da narrativa
regionalista para afirmar sua ficcionalidade. Ressalvo, ainda,que este procedimento
não se caracteriza como excentricidade ou extravagância, na medida em que o imaginário
medieval, na intersecção dos universos culturais, encontra-se vivo e presente em nossa
tradição sertaneja.Trata-se, pois, de um procedimento antropofágico.

Downloads

Publicado

07-04-2014

Como Citar

TOLLENDAL, E. J. A CHANSON DE ROLAND NA GÊNESE DO GRANDE SERTÃO: UM EXERCÍCIO DIALÓGICO. Trama, [S. l.], v. 10, n. 19, p. 173–183, 2014. DOI: 10.48075/rt.v10i19.9766. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/trama/article/view/9766. Acesso em: 10 ago. 2022.

Edição

Seção

ARTIGO