O discurso estratégico: a função da linguagem na arte de escrever de Maquiavel

José Luiz Ames

Resumo

Maquiavel tem a pretensão de ser radicalmente novo. Feito um príncipe novo num Estado, tem a missão de subverter de cima abaixo a ordem instituída. Para preservar sua segurança, obriga-se a comunicar seu pensamento usando de artifícios que o coloquem ao abrigo da repressão das autoridades estabelecidas. Deste modo, a obscuridade algumas vezes presente na sua obra é premeditada e está a serviço de uma estratégia. A hipótese de leitura que examinamos é de que a estrutura de seu discurso comporta dois registros fundamentais: a dissimulação e a persuasão. Ambos estão a serviço da mesma estratégia de ensinamento: mostrar de que forma a ação política pode estabelecer os novos fundamentos da política capazes de subverter as formas antiquadas de organização do poder.

Palavras-chave

Linguagem política; Persuasão; Dissimulação; Estratégia

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