Literatura e multimeios: o fenômeno Harry Potter

Fellip Agner Trindade Andrade

Resumo


Este artigo, tomando como exemplo a série de livros infanto-juvenil Harry Potter, tem o intuito de discutir e apresentar as influências da era digital e da convergência de mídias na criação e manutenção de uma comunidade virtual de alcance global de leitores e fãs da série. Atentos às revoluções nos conceitos de produção e recepção literárias na era digital e trabalhando teóricos como Henry Jenkins, Néstor García Canclini, Stanley Fish, Suman Gupta, dentre outros, o presente artigo traça um caminho teórico da recepção literária, desde a leitura fechada (close reading) dos New Critics americanos até o cenário atual, no qual a internet, sobretudo as redes sociais, possibilitam a formação de diversas comunidades interpretativas (termo cunhado por Fish em 1980) no mundo virtual: uma delas, em especial, neste trabalho, a comunidade global de leitores e fãs de Harry Potter. Consolidada pelos avanços das tecnologias de comunicação, além das influências da globalização, do capitalismo e da indústria do entretenimento, a série da autora britânica J. K. Rowling conseguiu ultrapassar o mercado editorial e se manter relevante em duas décadas desde sua primeira publicação, além de ter se consolidado como referência cultural para milhões de leitores e fãs no mundo todo, sobretudo por sua presença nas mais diversas mídias.


Palavras-chave


Literatura; mutlimeios; comunidades interpretativas; globalização.

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