O silêncio como elemento produtor de atmosferas/ambiências no filme Rififi, de Jules Dassin

Diogo Rossi Ambiel Facini

Resumo

Neste artigo, reflito sobre a presença do silêncio no filme Rififi (Du rififi chez les hommes, 1955), de Jules Dassin, mais especificamente, na longa cena de roubo. O silêncio, nessa cena, é representado pela ausência das falas e da trilha sonora musical (não por uma ausência completa de som). Esse tema é discutido com base em alguns autores. Em uma perspectiva mais geral: Le Breton (1997) e Sontag ([1967] 2015). Em um olhar mais voltado para o cinema: Martin ([1985] 2013), Tarkovski ([1990] 2010), Bresson (2004), Gil (2012), entre outros.  A hipótese defendida neste artigo é a de que o silêncio no filme produz alguns efeitos consideráveis no espectador, mas efeitos que, entretanto, escapam de uma abordagem mais voltada para a revelação de um sentido, ou seja, de uma atividade interpretativa. Por conta dessa especificidade, a leitura presente neste artigo parte de um campo também específico, chamado de Materialidades da Comunicação, em que é proposto um olhar diferente da interpretação, direcionado para elementos distintos do sentido, para os objetos artísticos e culturais. Um conceito proposto no campo das Materialidades é central para esta reflexão, o de Stimmung, ou atmosfera/ambiência, discutido pelo pesquisador alemão Hans Ulrich Gumbrecht na obra Atmosfera, ambiência, Stimmung: sobre um potencial oculto da literatura ([2011] 2014). Considero que a presença do silêncio na cena do roubo do filme é fundamental para a criação de atmosferas/ambiências bastante específicas e peculiares, que provavelmente não existiriam caso as configurações sonoras fossem outras.

Palavras-chave

Rififi; Silêncio; Materialidades da Comunicação; Stimmung.

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