Josefina Plá e o barro como lugar de arquivo

Débora Cota

Resumo

O barro em Josefina Plá (Espanha, 1903 - Paraguai, 1999) expõe um arquivo grandioso e inacabado sobre a história cultural do Paraguai e em seu interior evidencia-se uma efetiva preocupação com a identidade cultural paraguaia, além de uma valorização da figura do Outro reivindicando-o como elemento formador de tal cultura. Este trabalho, portanto, dedica-se às políticas de arquivo por ela adotadas em torno do barro, principalmente ao que se entende por um “desejo de memória” e um “desejo de identidade” vinculados à construção da história do Paraguai. Parte-se, sobretudo, da análise do conto La mano en la tierra e do estudo da autora sobre a cerâmica, intitulado La cerámica popular paraguaya (1994). Mas, considera-se também sua produção ceramística e seu estudo sobre o barro hispano-guarani. Nas obras em questão o barro é um elemento produtivo e se apresenta como um lugar de arquivo (DERRIDA) onde se imprime, se inscreve, se consigna e se produz o Paraguai. Josefina Plá chega ao Paraguai em 1926 e se envolve com a cultura do país assumindo, em muitos casos, o papel de propulsora, sistematizadora e difusora da cultura paraguaia. Além de artista e escritora, participa constantemente da discussão, de debates e da pesquisa, desenvolvendo a importante tarefa de arquivista daquela cultura.

Palavras-chave

Josefina Plá; barro; arquivo; identidade.

Texto completo:

PDF