Morder para viver e escrever para lembrar: Mulheres que mordem, de Beatriz Leal, e a rememoração do tempo que não pode ser esquecido na América Latina

Natasha Centenaro

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a construção das personagens femininas e as suas relações com as ditaduras militares latino-americanas no livro Mulheres que mordem, da autora brasileira Beatriz Leal. Publicado em 2015 e finalista do 58.º Prêmio Jabuti, o romance, centralizado na ditadura argentina, estabelece diferentes pontos de vista sobre esse período e suas consequências. A partir da perspectiva dessas mulheres é possível traçar um percurso histórico de movimentos como As Mães e as Avós da Praça de Maio, para, assim, refletir sobre os vínculos da literatura com a memória, especialmente, coletiva, e os processos de escrita de um tempo passado, porém recente e ainda visceral. Durante essa trajetória, serão utilizadas autores como Beatriz Sarlo, Maurice Halbwachs e Paul Ricoeur, para tratar sobre memória. Também se pretende discutir as implicações da escrita ficcional como ferramenta para a produção simbólica e à rememoração (e atualização) desses fatos históricos.

Palavras-chave

ditaduras na América Latina; perspectiva feminina; mulheres que mordem; Beatriz Leal.

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