1984, de George Orwell, a manipulação da linguagem e o materialismo Lacaniano

Erica Fernandes Alves, Geniane Diamante Ferreira

Resumo

Este artigo analisa a manipulação da linguagem na literatura, tendo como corpus o romance distópico 1984, de George Orwell. Observa-se que o partido totalitário da obra, o Socing, se empenha em manipular a realidade da sociedade de Oceânia ao criar uma nova língua, a Novafala, a qual veicula abertamente os preceitos políticos instaurados pelo partido. A tentativa incessante de manipulação da linguagem se caracteriza como uma das várias estratégias imputadas pelo aparato político a fim de vigiar e controlar os cidadãos e, principalmente, os membros do partido, para que não consigam articular pensamentos dissonantes à ideologia política dominante. Baseando-nos em teorias desenvolvidas por Žižek sobre os conceitos de Simbólico e de grande Outro, presentes na psicanálise de Jacques Lacan, os resultados revelam que a interferência na instância do Simbólico por meio da linguagem é prejudicial, pois altera o modo como os sujeitos concebem a realidade, privando-os de sua capacidade de visualizar o controle imposto pela política totalitária do romance e de lutar contra ele. Inversamente, entretanto, a interferência na linguagem revela algumas falhas no seio do partido, tendo em vista que a necessidade de investimentos na criação de mais um mecanismo de controle do pensamento – a linguagem – denota que o partido não é, na verdade, completamente eficaz naquilo que se propõe a fazer.

Palavras-chave

Novafala; grande Outro; Simbólico; Linguagem.

Texto completo:

PDF