Homossexualidades em mídias digitais: interseções entre gender e genre

Daniel Mazzaro, Venan Alencar

Resumo


O estudo de mídias digitais enquanto espaços para a socialização de desejos dissidentes tem-nos servido como importante instrumento para compreendermos modos de operação das subjetividades gays em ambientes virtuais, sobretudo quando essas subjetividades se encontram textualizadas. A formulação de sentidos para questões de gênero, quando se trata de homens gays, perpassa outros meandros e requer análises de como as masculinidades e as feminilidades, por exemplo, têm sido tratadas por esses sujeitos de fala. Portanto, objetivamos, neste trabalho, realizar uma breve discussão teórica sobre normatividades, gêneros (tanto sociais como discursivos) e performatividades em aplicativos e sites de encontros gays, valendo-nos de exemplos retirados do ManHunt, Grindr e Hornet. Essa discussão estará embasada em nossas pesquisas prévias (ALMEIDA, 2016 e ALENCAR, 2017), assim como em aportes teóricos de estudiosos de gênero e sexualidade, como Halperin (2012) e, Butler (1990,1993), e também de Charaudeau (1996, 2004, 2010) no que diz respeito à análise do discurso. Dessa forma, poderemos entender como as noções de norma, heteronormatividade, gênero e cultura podem estar articuladas nas falas de nossos sujeitos-objeto e a relação que travam com a cultura hegemônica em um contexto marcado pelas situações de comunicação do gênero discursivo em que se performatizam. Além disso, buscamos reunir algumas reflexões sobre as representações gays em uma perspectiva histórica, passando da era pré-Stonewall até a contemporaneidade. Por fim, será possível traçar alguns pontos talvez ainda poucos discutidos e, ainda, promover e incentivar uma reflexão sobre as relações entre os gêneros discursivos e os gêneros sociais.

Palavras-chave


Homossexualidades; mídias digitais; gêneros sociais; gêneros discursivos.

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Referências


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