Precursora da crítica feminista? Quem foi Juana Inés de La Cruz

Adriana Goreti de Oliveira Lopes, Acir Dias Da Silva

Resumo

Este artigo possui o propósito de refletir sobre o trabalho de Sóror Juana Inés de la Cruz, e assim construir pontes entre a linguagem literária e as interfaces sociológicas, principalmente no que se refere a estudos de Gênero e a literatura. Para tanto, buscou-se descrever o contexto sócio-histórico da poetisa e dramaturga que foi muito além do seu tempo. Seu trabalho provocou efeitos, não apenas na sociedade mexicana do século XVII, mas inaugura o pensamento feminista, compreendido no sentido de preconizar e ampliar os direitos civis e políticos da mulher. Para abarcar o tema supracitado, será utilizado como fonte primária o material produzido por Octavio Paz, intitulado “Sóror Juana Inés de la Cruz”, uma obra que não aborda apenas os aspectos biográficos da poetisa, mas acentua também o caráter histórico, antropológico e uma crítica literária de toda sua obra. Autores como Freud (1969), Cassirer (2013), e Eliade (2016) também subsidiaram esta construção. O referencial teórico-metodológico da Sociocrítica, bem como da Literatura Comparada constitui uma excelente ferramenta que possibilita a tessitura de uma análise do material, promovendo um diálogo frutífero entre as poesias a serem analisadas e o referencial teórico da Psicanálise. Juana Inés de La Cruz ao invés de falar sobre o outro, produziu um espaço fecundo para que esse outro pudesse se expressar, e se tornou, não apenas a primeira figura literária feminina marcante daquele período, como também contribuiu para a construção de novos sentidos para a mulher e seu existir, muito além da literatura.

Palavras-chave

Literatura Comparada; Estudos de Gênero; Sóror Juana Inés de la Cruz.

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