Quignard: sobre metamorfoses e a linguagem enigmática

Ana Rosa Gonçalves De Paula Guimarães

Resumo

O presente artigo traz o conto do escritor francês Quignard, O enigma (2018), uma narrativa contemporânea, a qual retoma a tragédia de Édipo Rei, bem como as temáticas do destino, da fatalidade e do desejo. É uma pesquisa qualitativa, tendo como escopo teórico para a leitura interpretativa do conto, a psicologia analítica, formulada por Jung (1991a e 1991b); o estudo das mitologias, de Durand (2001), Estés (2014) e Migdgley (2014); os simbolismos da enciclopédia Homem, Mito e Magia (1974a e 1974b) e da teoria literária contemporânea, conta com os autores: Foucault (2007), Lima (1996) e Ricoeur (1994). No conto, após a narrativa, há uma secção chamada de “comentários”, que será explora também no decorrer do artigo. A história apresenta um menino, que, ao ser expulso de casa pela mãe, busca o reencontro com a palavra perdida, possibilitando o encaminhamento e encantamento do enigma, desencadeando a realização do seu próprio destino. A experiência da linguagem e da decifração do mundo vem diante dos simbolismos das metamorfoses vivenciadas pelo garoto ao longo do enredo, a fim de que ele possa aceitar a si e atravessar um processo de iniciação. A linguagem como um enigma a ser decifrado passa por uma série de inscrições do pequeno herói.

Palavras-chave

Pascal Quignard; enigma; literatura contemporânea; mitologia.

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