O retorno de Inana: a mulher em busca do feminino reprimido

Adriane Viola Bacarin

Resumo

Este artigo possui o propósito de refletir sobre o mito da deusa Inana e construir pontes entre o feminino reprimido por consequência da sociedade patriarcal e a experiência com a totalidade do ser. Nesta proposta, o mito funciona como ascensão interpretativa da consciência para o nível inconsciente. Assim, este artigo pretende servir de referência para as mulheres que buscam a identificação com o feminino que não está sendo vivenciado em sua inteireza, descendo até as profundezas do mundo inferior para efetivar o resgate do feminino. Como fonte primária será utilizada a obra de Sylvia Brinton Perera, intitulada “Caminho para a iniciação feminina” (1985) que possui base interpretativa do mito na psicologia e de modo secundário, serão utilizadas as obras “O herói de mil faces” (1949) e “O Poder do Mito” (1990) de Joseph Campbell; “O Retorno da Deusa” (1991) de Edward C. Whitmont; “A Dinâmica dos Símbolos” (1997) de Verena Kast e outras obras. O referencial teórico-metodológico por meio de bibliografias da mitologia e psicologia, bem como da filosofia e da história servem de parâmetro para a análise, promovendo um diálogo frutífero entre o mito e as interpretações da Psicologia Analítica. Inana é o símbolo do feminino reprimido e calado, e vem por meio do mito, proporcionar um espaço fecundo para que as mulheres possam se expressar, do mesmo modo como ela se permitiu fazer, muito além das aparências sociais.

Palavras-chave

Feminino; Sociedade Patriarcal; Bode expiatório; Mito.

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Referências

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