O labirinto duplo em La escritura del dios: o mito e o tempo no conto de Jorge Luís Borges

Raíra Costa Maia de Vasconcelos

Resumo


Dono de uma das obras literárias mais expressivas da América Latina no século XX, Jorge Luís Borges exibe ao leitor do conto La escritura del dios uma escrita labiríntica que resgata mitos e elementos sagrados, desenvolvidos por um fio ficcional preso entre a história e o fantástico. Diante da teoria de Ricardo Piglia sobre o caráter duplo dos contos, este trabalho visa analisar o conto La escritura del dios, tendo como principal eixo teórico a tese de que todo conto conta duas histórias – uma mais à superfície do texto, e outra mais reclusa. Observaremos a atuação e a ficcionalização dos mitos e da história da civilização Maia, operadas pelo escritor argentino, tentando traçar seus torneios estruturais, ao mesmo tempo em que iremos apontar as trajetórias de cada “história” dentro do conto, apontando indícios de cruzamento e revelação entre as histórias. Assim, apontamos que a teoria do conto, balizada em nosso trabalho por Piglia, ajuda-nos a perceber os caminhos narrativos da obra, mas não perdemos de vista que o trabalho de Borges dribla a própria sistematização teórica ao usar, em especial, a potencialidade sígnica do mito.

Palavras-chave


Labirinto duplo; mito; tempo; história.

Texto completo:

PDF

Referências


BORGES, Jorge Luís. A escrita do deus. In: O Aleph. Tradução de Davi Arrigucci Jr. Coleção Biblioteca Borges. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

BORGES, Jorge Luís. El Aleph. Buenos Aires: Desbolsillo, 2014.

BORGES, Jorge Luís. El Aleph. Disponível em: https://descargarlibrosenpdf.files.wordpress.com/2017/05/jorge-luis-borges-el-aleph.pdf. Acesso em: 02 ago. 2019.

BORGES, Jorge Luís. El Hacedor. Madrid: Alianza Editorial, 1975.

BURKERT. Mito e Mitologia. Trad: Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Edições 70, 1991.

CHEVALIER, J. & GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Trad.: Vera da Costa e Silva; Raul de Sá Barbosa; Angela Melim; Lúcia Melim. Rio de Janeiro: José Olympio, 23ª ed. 2009.

CHKLÓVSKI, Victor. A arte como procedimento. In: TOLEDO, Dionísio de Oliveira (org.). Teoria da Literatura: Formalistas Russos (3ª ed.). Porto Alegre: Editora Globo, 1976, pp. 39-56.

GOTLIB, Nadia. Teoria do conto. São Paulo: Ática, 2006.

PIGLIA, Ricardo. Formas Breves. Trad.: José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.




Direitos autorais 2019 Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob CC-BY-NC-SA 4.0 que permite o compartilhamento do trabalho com indicação da autoria e publicação inicial nesta revista

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.