JOÃO GRILO, O DESMILINGÜIDO: A ESPERANÇA NO IMAGINÁRIO DO OPRIMIDO

André Adriano Brun

Resumo

 

Objetiva-se neste estudo refletir sobre os sentidos que o mito de João Grilo – bastante difundido no sertão nordestino – assume no imaginário dos sujeitos/atores que, direta ou indiretamente, com ele se identificam, perpetuando-o ao longo dos tempos. Aos que detém o poder e/ou são abastados, o mito – ao denunciar seus vícios – representa uma ameaça, apontando para a subversão da ordem. Entretanto, àqueles que, por seu aspecto físico e pela sua condição de miséria e escravização, se identificam com o mito, João Grilo representa a esperança de dias melhores. Apesar de malandro, o caráter da personagem não perde totalmente o brilho e a dignidade, pois, ao não se apropriar do poder e da riqueza dos oponentes por ele derrotados, João Grilo não reproduz nem perpetua o sistema do qual fora vítima. Assim sendo, João Grilo, diferentemente dos metódicos caxias e dos cangaceiros caóticos, não é extremista, situando-se numa posição intermediária no rol dos heróis que povoam o imaginário folclórico-cultural brasileiro.

Palavras-chave

Mito; Malandragem; Perspectiva sociológica.

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