O SABER-FAZER DOCENTE A CONTRAPELO DA MEDICALIZAÇÃO DO MAL-ESTAR NA EDUCAÇÃO

Autori

DOI:

https://doi.org/10.48075/d6tfw040

Parole chiave:

Psicanálise, Educação, Mal-estar, Medicalização, Saber-fazer docente

Abstract

Os estudantes que diferem do padrão esperado na escola costumam ser encaminhados para serviços médicos e psicológicos, tornando-se potenciais portadores de diagnósticos. Desconsiderando que o percurso escolar de crianças e adolescentes tende a ser inconstante, as instituições educativas buscam resolver fora do contexto escolar as dificuldades evidenciadas no processo educacional. Diante de estudantes destoantes, os educadores encontram uma forma de aplacar o mal-estar produzido, apontando para uma possível disfunção individual do aluno. A partir dessa perspectiva, este artigo aborda a escuta de professores durante o contexto pandêmico, ocorrida no retorno às aulas presenciais. É resultante de uma pesquisa-intervenção realizada junto a educadores, por meio de rodas de conversas, ocorridas ao longo do ano de 2022, na modalidade presencial e virtual. A partir do diálogo entre a Psicanálise e a Educação, este artigo problematiza o lugar que enlaça a medicalização e a educação. Considerando o contexto pandêmico, propõe que o saber-fazer docente pode fazer frente ao processo de medicalização que invade a escola, apontado uma saída diante do mal-estar, indagando a relação hegemônica que se estabelece entre educação e medicalização.

Biografie autore

  • Larissa Costa Beber Scherer, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Doutora em Psicologia, com ênfase em Subjetividade, Cultura e Práticas Clínicas, pelo Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2020-2024), bolsista Capes. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2014), bolsista CNPq. Especialização em Teoria Psicanalítica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2000) e graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992). Atualmente é professora do curso de especialização em Psicanálise com Crianças e Psicanálise e Saúde Mental, do SEPAI - Serviço de Psicanálise em Atenção à Infância e a Família, onde ministra disciplina sobre psicanálise e educação. Foi professora colaboradora da Faculdade São Judas Tadeu, ministrando a disciplina de Psicologia da Educação e professora conteudista da pós-graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá. Foi membro do GT Psicanálise e Educação da ANPPEP de 2018 a 2024. Foi professora assistente substituta da Universidade Federal do Rio de Janeiro de 2016 a 2018, ministrando disciplinas de Psicologia e Educação. Foi professora da Pós graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional da Universidade Augusto Motta em 2015 e 2016, lecionando disciplinas sobre Inclusão e Educação. Foi pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Infância, Adolescência e Juventude (NIAJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do LAPSE - Grupo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Laço Social - UFF/UFRJ. Atualmente é pesquisadora associada do NUPPEC - Eixo 3 - UFRGS e psicóloga da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É analista membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre. Atua na área da psicologia e educação, com ênfase em psicanálise. Desenvolve estudos nas áreas de psicologia, educação e psicanálise; medicalização; saúde mental infanto-juvenil; educação e processos de subjetivação; formação de professores e mal-estar docente. Autora de artigos e capítulos de livros sobre psicanálise e educação.

  • Cristiana Carneiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Psicanalista e professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pós-doutora Sorbonne - Paris Diderot (2018). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992), especialização em psicanálise pela Universidade Santa Úrsula (1997) mestrado em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1997) doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002). Foi professora do curso de Especialização em Psicanálise da Associação Universitária Santa Úrsula e do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro até 2009. Desde então é professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro sendo também, a partir de 2016, professora do Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFRJ, na Linha Subjetividade, Cultura e Clínica. Exerceu a vice-coordenação do proprama de 2022 a 2024. Coordena o NIPIAC/NIAJ (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas) e faz parte do Conselho Científico da Revista Desidades, criada pelo NIPIAC em 2014. Também participa da comissão nacional da Associação Nacional Rede de Pesquisadores e Pesquisadoras da Juventude Brasileira REDEJUBRA Foi editora associada da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia. Coordenou o GT Psicanálise e Educação da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia) de 2019 a 2022. Participa do grupo Psicanálise, Educação e Laço Social (LAPSE), do CLINP (Clínica Psicanalítica), RED INFEIES (Red Interuniversitária Internacional de Estudos e Investigações Psicanalíticas e Interdisciplinares em Infância e Instituições) da RUEPSY (Rede Universitária Internacional de Estudos Psicanalíticos na Educação) e RSMCA (Rede Nacional de Pesquisas em Saúde Mental de Crianças e Adolescentes). Pesquisa a clínica e a educação, tendo como eixos a infância e a adolescência.

Pubblicato

21/10/2026

Come citare

SCHERER, Larissa Costa Beber; CARNEIRO, Cristiana. O SABER-FAZER DOCENTE A CONTRAPELO DA MEDICALIZAÇÃO DO MAL-ESTAR NA EDUCAÇÃO. Ideação, [S. l.], v. 28, n. 2, p. 373–394, 2026. DOI: 10.48075/d6tfw040. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/ideacao/article/view/37475. Acesso em: 27 ott. 2026.