Linguagem, mito e tragédia no jornalismo

Autores

  • Wellington Stefaniu

Palavras-chave:

Linguagem, Mito, Tragédia, Jornalismo, Revistas semanais.

Resumo


O jornalismo, ao desempenhar um papel de mediador entre a opinião pública e as instituições detentoras de poder, tem como objetivo maior centrar-se no factual, prezando pela informação das notícias tal como são. Entretanto, o profissional dessa área nem sempre consegue se abster de elementos subjetivistas, mesclando ao objetivismo elementos que não condizem com o seu ideal concretista da realidade, como aqueles vindos da mitologia e da tragédia grega, por exemplo. Partindo das notícias veiculadas nas revistas Época, Istoé e Veja acerca do incêndio ocorrido na Boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013, que causou a morte coletiva de vários jovens na cidade de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul, esta pesquisa buscará compreender como o jornalismo brasileiro produz narrativas que, mesmo negando qualquer traço idealizador, reproduz arquétipos que são rememorados no inconsciente coletivo. Para tanto, propomo-nos analisar especificamente as notícias do caderno tempo, da revista época, centrados não somente nas teorias concernentes ao jornalismo, mas também nas concepções sobre o mito, a tragédia grega e algumas definições sobre cultura, que acreditamos serem relembradas e reestruturadas pelas revistas em questão, sendo matéria-prima para a construção de novos mitos e para a formulação de tragédias contemporâneas, que despertam a comoção pública na sociedade com um objetivo quase sempre concentrado nas vendas em massa de exemplares.

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Publicado

26-08-2016

Como Citar

STEFANIU, W. Linguagem, mito e tragédia no jornalismo. Travessias, Cascavel, v. 10, n. 2, p. 414–442, 2016. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/14745. Acesso em: 18 out. 2021.

Edição

Seção

LINGUAGEM