Implante coclear:

conceito, história e desdobramentos discursivos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48075/rt.v15i3.27830

Palavras-chave:

Implante Coclear, surdez, tecnologia

Resumo


O implante coclear é um dispositivo eletrônico utilizado como parte dos processos terapêuticos para as pessoas com surdez, inata ou adquirida, do tipo neurossensorial de grau profundo, visando a possibilitar o acesso ao som. Para alguns, o referido aparelho corresponde a um recurso tecnológico capaz de ‘curar’ ou, pelo menos, facultar às pessoas surdas uma integração tangível com a sociedade majoritariamente ouvinte, melhorando a qualidade de vida do segmento em apreço; para outros, trata-se de um instrumento de controle e normatização, um recurso nocivo à comunidade surda, uma tentativa de erradicação do surdo, de sua cultura e de sua língua, a língua de sinais. No presente artigo, não se pretende defender ou criticar o uso deste equipamento, mas mostrar como ele surgiu, como funciona e investigar os efeitos de sentido produzidos sobre ele a partir desses diferentes lugares. Para tanto, utiliza-se neste trabalho o aporte teórico-metodológico da análise de discurso materialista proposta por Michel Pêcheux, na França, e por Eni Orlandi, aqui no Brasil. A partir deste investimento analítico, percebemos o discurso sobre o implante coclear como um instrumento de prática política em que há um confronto de sentidos e uma tentativa de produção de um consenso acerca do surdo e da surdez.

Biografia do Autor

Clevisvaldo Pinheiro Lima, Universidade Federal do Piauí

Doutorando em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Mestre em Letras, área de concentração - Linguística, pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Piauí - UFPI. Especialista em Libras pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Professor Assistente I, Libras, da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela. Membro do projeto de pesquisa Imagens da Cidade: Discurso e Produção de Conhecimento (LABEURB/UNICAMP/FAPESP). Membro efetivo do Núcleo de Pesquisas em Análise do Discurso (NEPAD).

Anesio Marreiros Queiroz, Universidade Estadual do Piauí - UESPI

Mestrando em Letras - Área de Concentração: Linguagem e cultura- (Universidade Estadual do Piauí - UESPI); Especialista em Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS (FAEME); Graduado em Letras Inglês (UESPI) e Licenciatura em em Química (Universidade Federal do Piauí - UFPI); Tradutor e Interprete de Libras/Português (SENAC-PI).

Referências

ALBERNAZ, Pedro Luiz Mangabeira. Quem ouve bem vive melhor: um livro para pessoas com problemas de audição e seus familiares. São Paulo: MG, 2008.

BLUME, Stuart. The artificial ear: cochlear implants and the culture of deadness. United States of America: Rutgerspress, 2010.

IARTES. Instituto de Artes do Brasil. Em alto e bom som. São Paulo: Laços, 2015.

KOZLOWSKI, Lorena. Implantes cocleares. Carapicuiba: Pró-Fono, 1997.

LOBATO, Lakshmi Eliane Austregesilo. Desculpe, não ouvi. São Paulo: Atitude Terra, 2014.

MUDRY, Albert; MILLS Mara. The early history of the cochlear implant: a retrospective. Jama Otolaryngology Head Neck Surg, v. 139, n. 5, may. 2013.

ORLANDI, Eni Puccinelli (org.). Discurso e políticas públicas urbanas: a fabricação do consenso. Campinas: RG, 2010.

ORLANDI, Eni. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 12. ed. Campinas: Pontes, 2015.

PFEIFER, Paula. Novas crônicas da surdez: epifanias do implante coclear. São Paulo: Plexus, 2015.

REZENDE, Patrícia Luiza Ferreira. Implante coclear: normalização e resistência surda. 1. ed. Curitiba, PR: CRV, 2012.

YAMADA, Midori Otake; VALLE, Elizabeth Ranier Martind do. Vivência de mães na trajetória de seus filhos com implante coclear: fatores afetivos e emocionais. 1. ed. Ribeirão Preto: Book Toy, 2014.

Downloads

Publicado

20-12-2021

Como Citar

LIMA, C. P.; QUEIROZ, A. M. Implante coclear:: conceito, história e desdobramentos discursivos . Travessias, Cascavel, v. 15, n. 3, p. 58–70, 2021. DOI: 10.48075/rt.v15i3.27830. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/27830. Acesso em: 22 jan. 2022.

Edição

Seção

LINGUAGEM