PELOS CAMINHOS DE UMA (IN)CONSCIENTE VIDA: CIDADE DESVIRGINADA!

Autores

  • Vilarin Barbosa Barros

Resumo


— Antes preciso avisar: estou tentando escrever, já entrei na noite faz tempo, mas estou sonolento, pareço embriagado, me deixe acordado... Estou vendo coisas... imaginando. Estou confuso e com muito sono... sono, sonho, com bastante sono... so...no... so...no...   Uma bela paisagem constituía o cenário imaginado: imaginado é?! Diria que sim! Pois sem imaginação, sem fetiche, acredito que não tenderia a enxergar essa cidade desvirginada. Era uma tardinha a beira mar, ou seria: tardei, mas, fiquei a beira a amar? Num sei bem, mas era mais ou menos isso... Claro! Isso pode ser mais bem pintado, pinçado, pensado... estou tentando enxergar!             Vejo que o meu coração se acelerava a cada momento, e batia, batia, batia... a cada passo, a cada minuto, a cada instante. Seu ritmo se acelerava; talvez envolvido pelos ares dessa cidade frenética ou, quem sabe, seja mesmo por está enamorado pelos caminhos dessa vida (in)consciente da qual ele tem trilhado... Ando e vejo coisas, olhe... pense num lindo por do sol, sol irradiante, magnífico! Um sol imponente, destemido talvez, mas acredite, ele estava a nos observar. Apesar de ser cheio de curiosidades, bastou um primeiro beijo, um brinde a sua beleza, uma reverência a vida que logo ele se escondeu (parecia sentir o clima!), se pôs, saiu de cena... percebeu que ia rolar. Sua vermelhidão flagrava sua timidez, que dizia-nos que era melhor se retirar, pois, sua bela natureza pura respirava ares novos, ares de pura safadeza, onde, para mais de dois não havia lugar! Logo logo ele se retirou, a noite de mancinho chegou e a lua solicitada, se viu obrigada ali estar. Antes mesmo da lua se impor ainda flagrei o sol que se escondeu atrás de uma nuvem, acredite!... Ele ainda estava a nos espiar. A lua chegando já vivenciava um novo clima, diria: bem mais quente!... Por isso talvez, que ela chegou bem de vagarinho, de forma fria e sutil, tentando impor aos poucos novos ares e, bem discreta, mas, também a nos observar! Ela: extasiada safada, pensava naquele ambiente, e nesse, em nós dois a enamorar. Chegou tímida, é verdade, mas depois se mostrou, e se “amostrou” com sua beleza, assumindo que estava a nos olhar... Uma verdadeira voyeur, talentosa em seu ofício, nos percorria em detalhes, sentia cheiros, sabores, adormecia toda, parecia em seu clímax: desmaiar! E nós?! Sentindo aquele cenário, desnudo em alguns momentos... Ficávamos a nos saborear. Saudados por muita gente, isso aparentemente, pois a cidade toda nos olhava, mas, ninguém nos via, o anonimato ali parecia reinar. Mãos que percorriam corpos extasiados e sentiam o molhado de um gozo cada vez mais excitante, intermitente, conduzido por movimentos, movimentos instigantes, nos levando a delírios, nos molhando... Eram as ondas do mar! Mentes mais insanas que não se compreendiam, perturbadas por desejos, ficavam a escutar: vozes, gozos, sussurrosssssss... Eram os ventos sedutores daquele lindo lugar! Enfim, a noite fincou os pés e as luzes da cidade pareciam olhos bem atentos, esses sequer batiam pestanas, ligados numa cena picante, envolvente, de dois “futuros amantes” a se deliciar. O tempo passou, a noite acabou, e então, nos vestimos de pudores, doutros sabores, e deixamos aquele cenário para compor outros; fiquei todo marcado por aquele corpo e suas idéias... Pedaços de um bom caminho... CIDADE DESVIRGINADA!... — Cidade desvirginada?... Que coisa! Que sonho louco é esse?... Eu sabia que eu não ia resistir, eu sabia que tinha cochilado!  

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Publicado

04-11-2011

Como Citar

BARROS, V. B. PELOS CAMINHOS DE UMA (IN)CONSCIENTE VIDA: CIDADE DESVIRGINADA!. Travessias, Cascavel, v. 5, n. 2, 2011. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/4256. Acesso em: 19 out. 2021.

Edição

Seção

LITERÁRIA