CÓPULA RITUAL: A SEXUALIDADE TRANSFIGURADA NA POESIA DE DULCINÉA PARAENSE E OLGA SAVARY

Autores

  • Andréa Rodrigues Leitão
  • Antonio Maximo Ferraz

Palavras-chave:

Sexualidade. Corpo. Phýsis. Origem. Metafísica platônica.

Resumo


  O presente artigo constitui uma interpretação do corpo e do despertar da sexualidade como fontes primordiais do amor e do erotismo, em diálogo com os poemas “Inquietude”, de Dulcinéa Paraense, e “Acomodação do Desejo I”, de Olga Savary. A interpretação percorre os caminhos da sacralidade da cópula ritual e do acontecimento da hierogamia Céu-Terra. Os encontros eróticos são vistos como a manifestação dos elementos da natureza, entendida como o desvelamento originário da phýsis. A comunhão amorosa instaura uma aproximação significativa do ser humano com a sua origem, como uma possibilidade autêntica de reconciliação com a natureza. Neste sentido, os dois poemas operam um movimento de ruptura com o legado conceitual da metafísica platônica, que estabeleceu uma cisão entre o homem e o real, aprofundada durante a modernidade. Em meio à dinâmica cíclica e incessante da phýsis, a experenciação do amor, a partir da sexualidade, proporciona o retorno do homem às suas raízes telúricas, à sua morada originária, na medida em que reconhece e ressalta o seu próprio corpo enquanto humus, “terra”, transfigurando-se nas forças vitais do mundo natural.

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Publicado

18-09-2012

Como Citar

LEITÃO, A. R.; FERRAZ, A. M. CÓPULA RITUAL: A SEXUALIDADE TRANSFIGURADA NA POESIA DE DULCINÉA PARAENSE E OLGA SAVARY. Travessias, Cascavel, v. 6, n. 2, 2012. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/6684. Acesso em: 21 out. 2021.

Edição

Seção

DOSSIÊ TEMÁTICO: SEXUALIDADE, EROTISMO E CORPO