Na Rua e na Memória: Junho de 2013 e as Dinâmicas Anamnésicas

Gustavo Souza Santos, Maria das Graças Campolina Cunha, Anete Marília Pereira

Resumo

“O gigante acordou”. Um grito de guerra que ecoou nas ruas no período das jornadas de junho, sequência de manifestações que tomaram o território nacional no mês de junho de 2013, tornando-se a tessitura metafórica ideal para representar o sentimento catártico que unia os manifestantes. Manifestantes que assumiram a roupagem do “gigante pela própria natureza” e anunciavam com a tomada das ruas que se tratava de um despertar: o país gigante acordou, rompe os fios que o mantinham enclausurado e quer recobrar seu lugar. Objetivou-se aqui analisar as dinâmicas anamnésicas das Jornadas de Junho de 2013 no Brasil, considerando as relações entre espaço e memória como insumos para a insurgência. O estudo se apoiou na análise documental do conteúdo noticioso dos três jornais de maior circulação (Folha de S. Paulo, O Globo e Estadão) no período das manifestações (ano de referência 2013), conforme auditoria do Instituto Verificador da Comunicação (IVC), órgão que mensura entre outros aspectos, a circulação de periódicos. As pautas dos atos eram unívocas em sua eclosão, mas passaram a evocar demandas sociais, econômicas e políticas na medida em que a insurgência passou a se articular em uma dinâmica anamnésica. Desse modo, o nutriente advindo da memória de experiências e expectativas antepassadas desencadeou uma força messiânica, de resgate do passado e compromisso com os legados e cada linha escrita anteriormente e que precisavam de desagravo no presente, com vistas a um futuro mais otimista.

Palavras-chave

Jornadas de junho; Espaço; Memória; Revolução anamésica; Movimentos sociais.

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