Michel Foucault e o Poliamor: cuidado de si, parresía e estética da existência

Vania Sandeleia Vaz da Silva, Geraldo Magella Neres, Rosangela da Silva

Resumo

O interesse do poliamor para a Ciências Sociais repousa no potencial subversivo e desafiador que esta nova subjetividade e arranjo afetivo produz em termos sociais, culturais e políticos. Ao afirmar que é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e estabelecer relações íntimas – eróticas, afetivas e sexuais – simultâneas e consentidas, o poliamor questiona o amor erótico na versão romântica e sua ligação contemporânea com o casamento monogâmico predominantemente heteronormativo e patriarcal. Considerando que o poliamor vem sendo efetivamente experimentado por pessoas que pensam, falam e escrevem defendendo a plausibilidade e validade de seu modo viver, parece constituir uma oportunidade de analisar um tipo de construção social, cultural, política e ideológica no momento em que está sendo elaborada e difundida. A proposta aqui é analisar em que medida o poliamor pode ser constituído em objeto de pesquisa relevante para as Ciências Sociais e se é possível seu enquadramento teórico por meio de três noções recuperadas por Michel Foucault nos seus estudos sobre a antiguidade greco-romana: cuidado de si, parresía e estética da existência.

Palavras-chave

Poliamor; Cuidado de si; Parresía; Estética da existência.

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